Michelle Bolsonaro critica desfile na Sapucaí que satirizou Lula e fé cristã.
Michelle Bolsonaro Critica Ala de Escola de Samba que Homenageou Lula
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) manifestou, na segunda-feira (16), repúdio à ala “Neoconservadores em Conserva” da Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o desfile do carnaval na Marquês de Sapucaí.
Críticas à Fantasia
Em publicação nas redes sociais, Michelle Bolsonaro classificou a fantasia como um “escárnio que expõe a fé cristã”. A ala apresentava integrantes vestidos com fantasias de lata, com rótulos exibindo a imagem de um casal heterossexual com dois filhos e a inscrição “Família em Conserva”.
Segundo a sinopse da escola, a alegoria representava “a dita família tradicional” e grupos que formam a base do neoconservadorismo no país, incluindo evangélicos, representantes do agronegócio, membros da alta sociedade e defensores da ditadura militar.
Michelle Bolsonaro afirmou que o desfile promoveu “zombaria e humilhação” contra os evangélicos e solicitou que a Frente Parlamentar Evangélica se manifestasse sobre o ocorrido. “Dizem que o país é laico, mas laicidade não autoriza zombaria, nem humilhação”, escreveu a ex-primeira-dama.
Repercussão Política
A manifestação de Michelle Bolsonaro somou-se a críticas de outras lideranças conservadoras. Gilberto Nascimento (PSD-SP), presidente da Frente Parlamentar Evangélica, considerou a fantasia “inadmissível” e declarou que tomaria “as medidas cabíveis”. Ele argumentou que o desfile ridiculariza os cristãos brasileiros, especialmente considerando o recebimento de recursos públicos pela escola.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) alegou que o governo Lula recebeu o roteiro completo da escola e, portanto, “homologou esse ato de ridicularizar a igreja evangélica em uma avenida em nome da liberdade artística”. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) relacionou a crítica à disputa eleitoral, sugerindo que evangélicos lembrem do episódio ao votar.
Em resposta, o Partido dos Trabalhadores (PT) defendeu o desfile como uma “manifestação típica da liberdade de expressão artística e cultural” e afirmou que a escola agiu de forma autônoma, sem configurar propaganda eleitoral antecipada.
Contexto do Desfile
A Acadêmicos de Niterói desfilou no Grupo Especial do Carnaval carioca com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. O desfile ocorreu no domingo (15) e teve duração de 79 minutos. Lula acompanhou a apresentação em um camarote da prefeitura do Rio, ao lado do prefeito Eduardo Paes (PSD) e aliados.
O desfile incluiu críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, retratado como o palhaço “Bozo” em um dos carros alegóricos, e referências ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.
Tentativas de Impugnação
A escolha do enredo já havia motivado reações da oposição. O partido Novo protocolou uma representação no Tribunal de Contas da União (TCU) para suspender o repasse de R$ 1 milhão da Embratur à escola, mas o pedido foi negado. Damares Alves e o deputado Kim Kataguiri (União Brasil-SP) também moveram ações na Justiça Federal contra o presidente, ambas rejeitadas. Um pedido de proibição do desfile também foi negado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Contexto
A polêmica em torno da ala da Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Lula no Carnaval, evidencia a crescente polarização política e ideológica no Brasil, com diferentes setores da sociedade expressando opiniões divergentes sobre temas como religião, família e liberdade de expressão.